Prefeito reclama de pagar mil reais de aluguel a dono de espaço privado para realizar evento, mas não vê problema em gastar R$ 300 mil com cantor em cidade do Norte do Piauí

 Durante a abertura do I Festival de Reisado Pubeirinho, realizada na tarde deste domingo (04/01), no município de Boa Hora, o prefeito Dominguinhos fez declarações que chamaram atenção pelo teor crítico direcionado a moradores da própria cidade. Ao discursar em um evento voltado ao público infantil e às famílias, o gestor relatou dificuldades enfrentadas pela administração municipal para viabilizar a realização do festival, destacando custos com o aluguel do espaço e cobranças feitas por proprietários locais.


Segundo o prefeito, foi necessário pagar R$ 10 mil pelo uso do local, sob o risco de o evento não acontecer. “Eu tive que alugar esse espaço por 10 mil reais. Se não, nós não estávamos aqui. Tinham botado nós pra correr”, afirmou. Durante a fala, Dominguinhos também citou a cobrança adicional de R$ 1 mil por parte de uma proprietária de terreno, dizendo que tentaria negociar a redução do valor. “Ainda tem uma dona de um terreno aqui cobrando mil reais. Vou negociar com ela pra dar pelo menos 500”, declarou. Em outro momento, afirmou que a ajuda decisiva para a realização do evento veio de fora do município, comparando com a postura de moradores locais.


As declarações, no entanto, entram em contradição com informações oficiais publicadas no Diário Oficial dos Municípios. Conforme extrato de contrato, a Prefeitura de Boa Hora firmou acordo no valor de R$ 300 mil para a contratação da banda Rey Vaqueiro, com apresentação de aproximadamente 1h30, valor que não inclui outros gastos com estrutura, som, iluminação e logística. A discrepância entre a alegada dificuldade para pagar um aluguel de R$ 1 mil a um morador da cidade e o elevado investimento em atrações artísticas tem provocado críticas e levantado questionamentos sobre as prioridades da atual gestão.


A repercussão das falas ultrapassou os limites do município e ganhou destaque em todo o estado. Para muitos, a postura do prefeito evidencia uma inversão de valores: enquanto se lamenta publicamente a cobrança de um pequeno valor por um cidadão da própria terra, não há entraves para autorizar pagamentos elevados a artistas de fora. O episódio reacende o debate sobre quais interesses estão sendo priorizados pela administração e se, de fato, o povo de Boa Hora ocupa o centro das decisões do governo municipal.


Além disso, a gestão Dominguinhos encerrou o primeiro ano de mandato sem apresentar entregas consideradas consistentes. Até o momento, o prefeito ainda não conseguiu imprimir um rumo claro à administração, nem anunciou projetos estruturantes capazes de fortalecer o desenvolvimento do município. Também não há, segundo observadores da cena política local, um planejamento visível que indique quais serão as principais marcas da atual gestão.


A reportagem procurou o prefeito Dominguinhos para se pronunciar especificamente sobre o contrato firmado com a banda e sobre os critérios adotados para os gastos com o evento, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.


FONTE: LONGAH . COM


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